Comentário feito após homem-bomba matar 22 pessoas na Inglaterra causou revolta de internautas, que denunciaram perfil.


Internautas denunciaram, na manhã desta terça-feira (23), o perfil de uma mulher, que informa em seu perfil viver em Curitiba (PR), após ela fazer um comentário racista e xenófobo a respeito dos baianos. Em um comentário que causou revolta de muitos usuários, ela diz que o ataque terrorista que matou 22 pessoas e feriu mais 100 em Manchester deveria ter ocorrido na Bahia.

"Só lamento que tenha sido em Manchester e não na Bahia. Seria lindo ver aquele gente nojenta e escurinha da Bahia explodindo. Kkkkkkkkkkkk", escreveu a mulher. Revoltados, os internautas passaram a compartilharam prints do comentário e da página do Facebook.

"A racista [nome] lamenta q um ataque com bomba ñ tenha acontecido na Bahia. Mande um recado pra ela no facebook. Cadeia pra ela!", escreveu uma internauta no Twitter.

"Triste é constatar que grande número dos ofendidos por [nome] agem como ela nas redes sociais. Um lixo de cidadã!", respondeu outro. "Alô @policiafederal, dona [nome] se enquadra no artigo 20 da lei 7.716/1989. preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional", marcou outro indignado.

Tentamos entrar em contato com a mulher para verificar a autenticidade das mensagens, mas até a publicação do texto não obteve resposta. Segundo outros internautas, após a repercussão negativa do comentário, o perfil foi bloqueado pela mulher.



Sobre o autor
Adenilton Cerqueira é fundador e diretor editorial da Black Brasil, conhecido entre os amigos como Théo, baiano,  feirense de nascença e soteropolitano de coração, é radialista, e blogueiro nas horas vagas. continue lendo aqui  

Mulher diz que ataque de Manchester deveria ter sido na Bahia: 'gente nojenta e escurinha'



Uma jovem pobre, do sertão da Bahia, hoje tem 5 pós-graduações e é juíza titular da 1ª Vara Cível e da Vara de Infância e da Juventude de Quirinópolis, em Goiás.

Uma jovem pobre, do sertão da Bahia, hoje tem 5 pós-graduações e é juíza titular da 1ª Vara Cível e da Vara de Infância e da Juventude de Quirinópolis, em Goiás.

Mas Adriana Queiroz, de 38 anos - que se mudou com os pais para São Paulo em busca de uma vida melhor quando era pequena - não esquece do esfregão que era obrigada a usar quando foi trabalhar como faxineira.

Na época com 18 anos, ela tinha acabado de passar no vestibular em uma universidade particular e teve que fazer faxina na Santa Casa de Tupã para pagar os estudos.

De dia, Adriana era responsável pela limpeza do chão e dos banheiros da unidade de saúde. À noite ia para a universidade.

Mesmo assim, o salário não dava e ela conseguiu uma bolsa de estudos.

Após seis meses, a jovem foi promovida no emprego e passou a atuar em um cargo administrativo do hospital, que ocupou até se formar em direito.
Adriana Queiroz, de 38 anos, comemora sua bela história de superação com cinco pós-graduações, um livro e um admirável cargo de juíza. Mas sem esquecer do esfregão que era obrigada a usar quando era faxineira.

A magistrada teve infância pobre, passou por desafios que colocaram à prova seus sonhos, mas também encontrou gente boa que a ajudou até a aprovação no concurso público para juíza.

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Ex-faxineira vira juíza e hoje tem 5 pós-graduações



Esta pesquisa realizada sob a coordenação do Prof. Michel Misse, traz à tona o tema dos autos de resistência. Evidenciando a complexidade por traz dessa prática policial, a investigação releva o quanto que os marcadores de gênero, classe e raça são acionados tornando extremamente vulnerável a condição de jovens negros moradores de favelas da cidade do Rio de Janeiro. Confira!

Pesquisa: Auto Resistência Michel Misse



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“Autos de resistência”: Uma análise dos homicídios cometidos por policiais na cidade do Rio de Janeiro

O ex-presidente Lula disse que o mercado financeiro “pode temer, sim”, a volta dele ao poder, caso vença a eleição de 2018. “O mercado pode temer sim, sabe por quê? Porque o Banco do Brasil vai voltar a ser banco público, porque a Caixa Econômica vai voltar a ser banco público, porque o BNDES vai voltar a ser banco público. Ele tem que saber disso, tem que saber disso. Esses bancos salvaram a economia em 2009”, afirmou, em entrevista ao SBT.

Indagado se haverá responsabilidade fiscal num eventual novo governo, respondeu: “Responsabilidade é comigo. Eu provei o quanto eu diminuí a dívida pública, eu provei o quanto a economia brasileira cresceu. (…) Não aceito lição de moral de banqueiro sobre responsabilidade fiscal. Quem não tem responsabilidade são eles, que cobram a taxa de spread do cartão de crédito que eles cobram”.

Lula afirmou que terá “condições jurídicas de ser candidato” em 2018. Ele declarou: “Eu serei candidato. E lhe direi mais: eu agora quero ser candidato. É importante. Eu agora quero ser candidato a presidente da República. Porque, na situação em que o país está, sem nenhuma falta de modéstia, as pessoas sabem que eu sei, as pessoas sabem que eu já fiz, e as pessoas sabem que eu posso consertar este país”.

Questionado se não haveria erro ético em empreiteiras fazerem obras em bens utilizados por ele e que isso seria um agrado ou vantagem indevida, Lula respondeu: “Primeiro, não foi um agrado porque eu não tive agrado. Primeiro, não houve. Segundo, se eu for candidato, eu vou ser julgado pelo povo. O julgamento do povo, para mim, é sagrado.”

Lula disse que não faria “barganha” com o juiz federal Sergio Moro para reduzir número de testemunhas de defesa. Afirmou que, se necessário, se mudaria para Curitiba.

O petista considera que a Lava Jato seria refém “dos meios de comunicação”. Disse que o Ministério Público inventou mentiras e que continuaria mentindo a respeito dele, sem apresentar provas de eventuais crimes.

Negou ter tratado com Emílio Odebrecht de doações para o PT. Afirmou ser “surreal” acusação de que a Odebrecht manteria conta interna para atendê-lo. Para Lula, prisões em Curitiba equivaleriam a um método de tortura a fim de conseguir delações. Ele disse não ter preocupação com eventual delação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho.

Segundo Lula, por ora, o prefeito de São Paulo, João Doria, mostrou “pirotecnia” para governar e terá obstáculos para ser candidato a presidente. Disse que haveria espaço para conversar com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas não com o presidente Michel Temer. Para Lula, Temer não teve “compromisso” com a democracia ao apoiar o impeachment de Dilma.

A seguir, a íntegra em vídeo da entrevista concedida por Lula na manhã desta quarta:

Parte 1



Parte 2





Vídeo: Veja na íntegra a entrevista do ex-presidente Lula ao jornalista Kennedy Alencar



Maria Beatriz Nascimento nasceu em Aracaju em 1942, filha de uma dona de casa e de um pedreiro, ela teve dez irmãos. Aos sete anos, ela e sua família migraram para a cidade do Rio de Janeiro.

Formou-se em História, em 1971, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Durante sua graduação, fez estágio no Arquivo Nacional. Após a formatura, começou a dar aulas na rede estadual. Foi nesse período que ela iniciou sua militância negra participando e propondo discussões sobre a temática racial no ambiente acadêmico. 

Participou da Quinzena do Negro como conferencista e nela falou sobre seus incômodos quanto ao espaço universitário falar do negro apenas como escravo, como se as pessoas negras tivessem participado da história apenas como mão-de-obra.

Também ajudou a criar o grupo de trabalho André Rebouças. Em 1981, terminou sua pós graduação lato sensu na Universidade Federal Fluminense.
Havia iniciado um mestrado em comunicação social, na UFRJ, quando foi assassinada ao defender uma amiga da violência doméstica.
Beatriz Nascimento foi uma estudiosa sobre a temática racial, abordou em suas pesquisas os quilombos e toda experiência de resistência dos africanos e de seus descendentes em terras brasileiras, incluindo as religiões de matriz africana. A voz de Beatriz dentro do mundo acadêmico representa ainda hoje um grito de resistência, já que a universidade sempre foi um espaço excludente para pessoas negras, especialmente mulheres.

Além da trajetória de ativista intelectual que tanto inspira ainda hoje o Movimento Negro e feminismo, Beatriz também escrevia poesias. Em sua obra, ela fala com sensibilidade sobre a existência dela como mulher e negra.
Seu trabalho mais conhecido é o filme Ori, escrito e narrado por ela. Nele ela conta sua trajetória pessoal de mulher, negra e nordestina como uma forma de abordar a comunidade e identidade negra. Esse filme foi dirigido pela socióloga e cineasta, Raquel Gerber.

“A terra é o meu quilombo,
o meu espaço é o meu quilombo.
Onde eu estou,
eu estou,
quando estou eu sou”
– Beatriz Nascimento
Retirado do documentário "O negro da senzala ao soul", Beatriz Nascimento sobre a história contada pelo opressor branco, organização dos quilombos e repressão.



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A história do Brasil é uma história escrita por mãos brancas


Rafael Braga é condenado a onze anos de prisão

Por:  Marielle Franco

1) Rafael Braga acaba de ser condenado a 11 anos de prisão;

2) Ele foi preso durante os protestos em junho de 2013 (sendo que ele não estava participando do protesto) por estar carregando uma garrafa de PINHO SOL (que não é nem inflamável);

3) Em dezembro de 2015, migrou para o regime semiaberto com o uso de uma tornozeleira eletrônica;

4) Ao sair para comprar pão, em janeiro de 2016, no bairro onde morava com a família, na Vila 
Cruzeiro, foi detido, vítima de um flagrante forjado (os depoimentos dos PMs que o prenderam são contraditórios e ainda sim são a única "prova" usada para prendê-lo);

5) Desde então, Rafael está em prisão cautelar, acusado de tráfico de drogas e associação ao tráfico;

6) O juiz do caso negou que coletassem provas que poderiam inocentar Rafael;

7) As provas seriam: a gravação da câmera da UPP que o apreendeu, o registro de localização (GPS) da tornozeleira, a gravação da câmera da viatura e o depoimento que o engenheiro da obra que estava próximo ao local que o flagrante foi forjado;

8) Rafael Braga é hoje um dos maiores símbolos de como a justiça, o Estado e a sociedade são racistas;

9) A Justiça age da mesma maneira com pobre, negro e favelado do que com brancos ricos;

10) Liberdade para Rafael Braga!

Rafael Braga: As 9 verdades e 1 mentira mais absurdas que você vai ler



Um americano de 76 anos, morador do Estado do Oregon, pode dar seu último suspiro em paz, graças a uma mentirinha contada por sua esposa: ela falou que o presidente Donald Trump havia sofrido impeachment.

Michael Garland Elliott estava doente há pelo menos dez anos. Apesar da enfermidade, Eliott era um fanático por notícias e acompanhava atentamente os rumos da política de seu país. Como o resultado da eleição de Trump não o deixou satisfeito, o sujeito vivia preocupado com sua família e com as “barbaridades” cometidas pelo mandatário.

E no começo do mês, após ouvir sua mulher e mehor amiga Teresa Elliott lhe dizer que Trump sairia do governo, ele finalmente conseguiu “descansar” eternamente. “Depois de ouvir que Donald não seria mais nosso presidente, ele deu um suave suspiro e partiu”, afirma ela.

Em entrevista ao jornal New York Daily News, Teresa afirma que não se arrepende de ter mentido para o marido. “Sabia que essa notícia daria algum conforto para ele”. E completou: “Quem sabe no fim isso não se torne uma total mentira”. Finalizou ela.

Com informações do Telegraph e do New York Daily News.


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Doente dá seu "último suspiro" após saber que Trump sofreu impeachment




Negra e adotada, garota de 12 anos é alvo de racismo em três escolas de BH.



Menina sofria ofensas raciais e a direção dizia que ela entendia errado as ‘brincadeiras’. Aos 12 anos, ela está em tratamento psiquiátrico e toma remédios contra depressão
Aos 12 anos, Larissa (nome fictício) ficará ao menos 30 dias fora da escola por determinação médica. Após sofrer bullying em três colégios de Belo Horizonte ao longo de três anos, ela está em tratamento psiquiátrico e toma remédios contra depressão. Negra e adotada, adorava ir às aulas, até ser alvo de agressões físicas e psicológica de colegas.

“Era uma das poucas negras do colégio, mas nunca a incomodou. Os colegas nunca haviam dito ou a tratado diferente, apesar de olhares tortos que percebia de alguns pais. Mas, quando fez 9 anos, os apelidos e provocações com sua pele e cabelo começaram”, conta a aposentada Lúcia Helena, de 51 anos, mãe da menina. Após perseguições em duas escolas, foi para um colégio religioso, onde tudo piorou, segundo relato da mãe. “A escola não soube recepcioná-la, e ela foi excluída dos grupos.”

 A menina sofria ofensas raciais e a direção dizia que ela entendia errado as “brincadeiras”. Em novembro, foi ofendida por uma menina e revidou com um tapa. A direção quis suspendê-la por entender que ela era a agressora. Desistiu, mas o episódio abalou Larissa, que passou a dizer que preferia morrer a voltar à aula. Em depressão, perdeu as provas finais e a recuperação. Foi reprovada, apesar das boas notas no restante do ano.
“Tentei explicar que ela não tinha condições de fazer as provas, que estava sob efeito de remédios fortíssimos, mas a escola foi irredutível”, diz. A mãe recorreu à Justiça para reverter a reprovação, sem sucesso. Agora tenta ação criminal. A menina está matriculada em outro colégio, para onde vai após se recuperar.

“Ela não quer sair de casa nem conversar, desenvolveu fobia de escola. O dano é tão grave que os médicos me recomendaram não deixá-la sozinha, vigiar o que faz e evitar deixar facas e remédios ao seu alcance”, conta Lúcia. “A gente se culpa por não ter entendido a gravidade do problema antes, por não ter exigido da escola uma ação.”

Em nota, o colégio disse que adotou ações em conformidade com “o regimento escolar” e que se pauta pelo caráter cristão.


Larissa 12 anos está em tratamento psiquiátrico, sofria ofensas raciais e a direção dizia que ela entendia errado as ‘brincadeiras’

Na zona sul de São Paulo um sítio isolado guarda histórias de terror que podem ajudar a entender um dos pontos obscuros da ditadura, os centros clandestinos de tortura. E a assombrosa colaboração civil



“Você está em poder do braço clandestino da repressão. Ninguém pode te tirar daqui”, é o que você ouve quando chega no sítio, depois de mais de uma hora metido no banco de trás do fusquinha com um capuz quente na cabeça, e a cabeça entre as pernas.

Você foi apanhado na Avenida Brigadeiro Luis Antônio, uma das mais movimentadas de São Paulo. Te enfiaram dentro do carro, dois homens grandes, meteram o capuz. Então você é todo ouvidos e corpo, e cada balanço ou ruído vai se gravando na sua mente tão vivo que você se lembrará deles para o resto da vida.

Minutos depois, pegam a estrada. Tráfego intenso. Saem da cidade, estradinha de terra, passa um trem, devagar. Quando o carro finalmente estaciona, você ouve a frase de boas-vindas e, apavorado, consegue memorizar o chão de cimento, por onde é empurrado antes de ser arremessado por escada que leva a um lugar subterrâneo. Os seus algozes chamam aquilo de “buraco”, com razão. Não há tijolos, nem paredes, o calor é forte, cada vez que você apalpa à volta, caem blocos de terra molhada. O chão é lodoso. Seu cativeiro é úmido e infinito.

Quando te tiram a roupa – você vai ficar assim por muito tempo. Primeiro: o pau-de-arara. Trata-se de um invento simples, bem brasileiro. Uma barra de ferro apoiada sobre cavaletes, onde te penduram enrolado, pesando sobre os braços e pernas. Eles te batem, te chutam, dão choque elétricos; nada de maquininha de Tio Sam, são fios desencapados que chegam diretamente no sovaco, na barriga, na boca.

Se divertem com isso, assim como se divertiram desde sempre aqueles que têm o poder de torturar. Quando você fraqueja, te levam a outra sala – piso de taco – onde perguntam tudo o que sabe, que atordoado você tenta esconder. Eles não vão te deixar em paz.

Você se pergunta: por que está ali?

É 1975. Já se passaram dez anos desde o golpe militar no Brasil. O novo governo dos milicos (general Ernesto Geisel) prometia uma volta pacífica à democracia, com um governo civil.

Depois de prender centenas de opositores, mandar milhares para o exílio e exterminar os grupos de resistência armada, a ditadura começava a querer ser vista como “ditabranda”. É claro que você não acreditava, mas estava em todos os jornais. De qualquer forma, você era conhecido publicamente, não devia temer. Jamais se envolveu na luta armada; advogado, comunista do Partidão (PCB), foi vereador e deputado federal, você sempre acreditou na política. Pela sua atuação, já havia sido preso. Mas torturado, jamais. Até o dia 1 de outubro de 1975.

Você já tinha ouvido falar nesse tipo de lugar. O chachoalhar do carro rumo à zona rural só confirmou que você iria sofrer mais – que iria morrer. Não estavam te levando para uma delegacia, onde bem ou mal alguém poderia te ver e lembrar de você. Estava caindo nos braços clandestinos do horrendo regime militar.

Existiam dezenas de lugares como esse. Eram os centros clandestinos de tortura. Ao mesmo tempo em que o governo militar começava a falar em abertura, os milicos e policiais civis usaram esses lugares para seguir com seu velho método de fazer as coisas. Em meados da década de 70, o governo falava em acabar com as torturas, e os “teatrinhos” foram banidos: aquelas cenas de falso tiroteio armadas para encobrir a morte de gente que fora na verdade morta sob tortura (era assim que os policias chamavam a encenação descarada).

Nos centros clandestinos, torturava-se em segredo, e não raro se sumia com os corpos. Muitos dos desaparecidos da ditadura brasileira passaram por eles.

Ali, fora do aparato oficial, podia-se massacrar ao ar livre. No seu caso, a tortura usava o que o sítio tinha a oferecer: as árvores, o açude, os dois lagos.

Segundo: a sufocação. Eles te levam para um córrego raso, com pedras no fundo. Ali, soltam água de uma espécie de reservatório e você é jogado para baixo, ralando nas pedras as feridas do corpo. Terceiro: a “piscina”, como eles chamam, na verdade um poço lamacento onde te afogam segurando sua cabeça. Quarto: a árvore. Pendurado pelos pés, você recebe socos, choque elétricos. Um químico é jogado sobre seu corpo, arde. Seus gritos se misturam ao de outras pessoas, que você ouve estarem sendo torturadas – homens, mulheres.

Um dia, te tiram dali, apressadamente. Dizem que seu sumiço foi denunciado no congresso nacional e na assembléia do Rio de Janeiro. Vão ter que te liberar. Seu martírio acaba numa casa, na periferia de uma cidade. Um médico o visita diariamente, para assegurar que você estará “apresentável” quando for solto. No dia 22 de outubro de 1975, finalmente você tira o capuz.

O seu nome é Affonso Celso Nogueira Monteiro. Em 2011, aos 89 anos, os olhos ainda ficarão opacos quando lembrar daqueles dias e o seu corpo, envelhecido, guardará ainda todas as marcas. Você é o único prisioneiro que saiu com vida da Fazenda 31 de Março – nome do sítio clandestino de tortura, uma homenagem à data do golpe militar de 1964.

Quarenta anos depois, a fazenda continuará lá, com a mesma cara, esquecida pelo tempo, escondida numa estrada de terra no bairro de Parelheiros, na zona sul de São Paulo, bem na divisa com Itanhaém e Embu-Guaçu.



Muitos não tiveram a mesma sorte. Antônio Bicalho Lana e sua companheira Sônia Moraes, ambos da guerrilha Ação Libertadora Nacional (ALN), foram assassinados no sítio em 1973. Depois, foram levados até o bairro de Santo Amaro, onde se encenou um tiroteio – mais um dos “teatrinhos”. Foram enterrados em vala comum. Ali também mataram o líder estudantil Antonio Benetazzo, em 1972, preso na Vila Carrão, norte de São Paulo. A versão oficial, veja, é depois de preso ele teria se jogado sob as rodas de um caminhão. Foi enterrado como indigente.

Fagundes, o “pacificador”

O sítio 31 de março é a prova de que existia uma rede de locais clandestinos de tortura no Brasil nos anos 70. Mas, como grande parte da história da ditadura militar brasileira, jamais se investigou como e quando foram usados.

No Brasil, diferente de países vizinhos como Chile e Argentina, jamais um único militar foi punido pela tortura sistemática adotada pela ditadura. Naqueles países, lugares como esse viraram museus, memoriais às vítimas, marcos históricos para que o passado não volte.

Os sítios da tortura só eram possíveis por causa do apoio de civis, gente endinheirada que apoiava a ditadura e emprestava seu imóveis para a repressão. Nenhum deles jamais foi levado à justiça.

O “dono” do sítio 31 de Março era um empresário mineiro, Joaquim Rodrigues Fagundes. Acusado de grileiro, ele se apossou da terra nos primeiros anos da década de 70. Chegou tocando o terror: junto com capangas, exibiam armas de uso exclusivo das Forças Armadas, invadiam a casa de moradores, chegaram a surrar um deles para que “desse o fora”, como se dizia na época.

Fagundes se gabava de ser amigo do “pessoal do Doi-Codi”, a central mlitar que comandava a repressão. Seu caseiro na época, Alcides de Souza, reconheceu que ele emprestava o sítio para os milicos fazerem treinamento. “Tem vez que chegam aqui dois mil homens – acampam, correm pra cá, pra lá, dão tiros, cortam a mata”, disse.

Fagundes era dono da Transportes Rimet Ltd, na Moóca. Sua empresa não fazia muita coisa. Tinha um único cliente, a estatal Telesp – Telecomunicações de São Paulo, que na época controlada pelos militares do governo paulista. Ali na Moóca, era sempre visto acompanhado pelos bravos amigos de farda, como o coronel Erasmo Dias, conhecido por tere invadido a universidade católica (PUC) e metido ferro nos estudantes. Ele mesmo ia uma vez por semana até a sede do Doi-Codi, na rua Tutóia. “Ele tinha autoridade, andava com os milicos”, lembram os vizinhos.

Quando não tinha ninguém gemendo ou sufocando, a turminha de Fagundes usava o sítio para churrascos e almoços festivos. Vinham nomes como mesmo Erasmo Dias, bem como o Coronel Brilhante Ustra, cujo comando do Doi-Codi foi marcado por mais de 500 denúncias de tortura, e o delegado da policia civil Sérgio Paranhos Fleury, que comandava esquadrões das morte antes da diutadura, e o massacre dos opositores depois. Só a nata da repressão. “O Fleury era amigão da gente” lembra Alcides, o caseiro.



A ajuda de Fagundes foi reconhecida. Em 30 de junho de 1977, recebeu a Ordem do Mérito do Pacificador, por “serviços prestado ao país”. O mineiro tinha tanto orgulho da sua ligação com o exército que, logo abaixo da placa com o nome da fazenda 31 de Março colocou outra, dizendo: “proprietário: pacificador Fagundes”.

Jamais foi militar, jamais teve um cargo oficial. E jamais foi chamado a prestar contas pela sua atuação.

Pelo contrário. Em 1984, recebeu uma comenda do Exército, tornando-se, oficialmente, “comendador”, título que consta ainda hoje na sua lápide no Cemitério da Quarta Parada, zona leste de São Paulo. O país agradece.


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O sítio da tortura: Tomem um comprimido de metoclopramida e leiam



Maria Eduarda, de 13 anos, foi atingida por um tiro de fuzil durante a aula de Ed. Física na escola, no RJ. Sua morte gerou revolta nos moradores do bairro da Fazenda Botafogo, bairro vizinho ao da escola. Divulgamos abaixo carta escrita por seu professor.

"Seu dedo apertou o gatilho: o sonho acabou.

Hoje foi executada com três tiros, pela Polícia Militar, um na cabeça, um na nuca e outro nas costas, uma menina de 13 anos. Dentro da escola, em aula. Não é a primeira e não será a última. Morreu com black na cabeça, camisa e bermuda do uniforme da prefeitura do Rio de Janeiro, e um tênis rosa. Sem mochila ou celular, pois estava indo beber água. Jogava volei, ganhou por isso uma bolsa para ir para um colégio particular como aluna atleta, como diversos outros alunos do colégio conseguiram. Fruto de um trabalho maravilhoso dos professores de Educação Física, a menina começou a ter sonhos. O colégio foi o melhor da CRE, venceu jogos e campeonatos contra colégios particulares, trouxe 9 medalhas das 10 modalidades que participou no ano passado. Foi o destaque. Ela era da equipe. Mas, morreu.

Com ela morreu seus sonhos e a esperança de diversas outras crianças, que experimentaram hoje o ódio e o desejo de vingança pela covardia sofrida. Todo trabalho de 6 anos do colégio na comunidade, todo o trabalho de 3 anos da equipe de Educação Física e direção, toda credibilidade que tinham, morreram ali.

Eu sairia as 16h20m, estava com a turma de 6º Ano. Ouvi três tiros de pistola. Coloquei todos sentados e em silêncio, em local seguro. Ouvi mais rajadas de fuzil. Gritos. Controlando a turma, boatos vinham, diziam: ’menina baleada’. Disse a turma que iria averiguar e eles esperassem. Concordaram. Um funcionário, pai de aluna, que veio três vezes a turma para ver a filha e pedir que não saísse dali, estava no corredor. Perguntei a ele o que realmente havia acontecido, ele pegou no meu braço e disse: quer ver o que aconteceu? Olhe ali embaixo. Vi o corpo e a poça de sangue. Morta. Voltei a turma. Confirmei o boato. Vi ainda na quadra o professor de Educação Física com os outros alunos abrigados e abaixados. Na primeira pausa do tiroteio, que não acabou durante toda a tarde e noite, os alunos foram liberados para casa. Mas a troca de tiros não parou. Alunos, pais, familiares, curiosos, vizinhos e bandidos queriam ver o corpo, entrar na escola. Uma multidão que nunca vi ali, e sempre se renovava. Uma multidão.

Muita dor, revolta, desespero, ajuda... gás de pimenta, coquetel molotov, tiros, fogos, gritos...muitos gritos. Muita gente desesperada, muita gente desmaiando. O inferno. Fogo na rua, barricadas, ônibus e carros queimados. Tiros. Execução sumária. Revolta. Justa revolta. E nós, professores e funcionários, ali. Muito ódio. Justo ódio. E ela, morta.

Esta política de "combate às drogas", mata. Morre policial, morre traficante, morre inocente. Lucrando com ela, uma minoria de políticos e "empresários" da "boa sociedade", que fornecem armas e drogas para os dois lados. Vendem a ideia de que vivemos em uma "guerra", para atuarem livremente. Encontram eco nos discursos conservadores que dizem que "bandido bom é bandido morto", que "favelado é criminoso", que "direitos humanos só servem para proteger bandidos", que a "polícia deve ser justiceira contra bandidos"... Se você defende isso, parabéns!, seu desejo foi realizado: seu dedo ajudou a puxar o gatilho do fuzil que matou Maria. Ela virará estatística: mais uma preta, pobre e favelada que morreu. Junto com ela o humano deste ser. Nesta lógica do olho por olho, ficamos todos cegos.

O ódio classista, o ódio contra a favela, o ódio contra o pobre, voltará. A favela dará o retorno. A indiferença, o descaso, o descompromisso com ela, terá volta. Não terá controle. Não há paz sem justiça social. Não há sossego possível com esta omissão estrutural e esta política de extermínio. Ou mudamos tudo, ou nada mudará.

A família gritava: "a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro matou minha irmã "; "a favelada que estuda tá aqui morta, enquanto isso, aquela criminosa foi solta para cuidar do filho dela"; "Queria ver se fosse na Zona Sul, se isso aconteceria, se as pessoas seriam tratadas assim". O que dizer? Justo. Muito justo e lúcido.


Muitas coisas me doeram hoje: a menina que morreu; a dor de cada membro da família que chegava - cada grito de desespero era uma nova morte; o desespero e perplexidade dos alunos vendo o corpo, deitados no chão, e não sabendo o que fazer; a insensibilidade dos policiais militares que, nem ao lado do corpo da criança, pararam de rir, zombar e atiçar a dor da população; o despreparo e, ao mesmo tempo, o amor e empatia dos professores e funcionários para lidar e ajudar na situação; a impotência diante desta estrutura asfixiante e imobilizante. Mas nada se comparou a dor sentida ao ler a mensagem que recebi do professor que mudou o colégio com sua nova forma de organizar a Educação Física, dando esperança a dezenas de alunos-atletas, que até então eram apenas "péssimos alunos" ou "projeto de marginais": "Obrigado, Júnior. Mas a minha pergunta é: do que adiantou eu ajudar ela a sonhar?"


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"Seu dedo apertou o gatilho: o sonho acabou". Carta do professor de Maria Eduarda



Por: Nérida Cocamáro, 25 anos. Filha de africanos, vindos de Guiné-Bissau, nascida e criada em SP

Aprendi desde muito cedo o significado de amor e respeito. Meus pais sempre deixaram bem claro a minha posição enquanto pessoa negra dentro da sociedade (machista e racista) e como isso influenciaria a minha vida. Nunca esconderam de mim questões como racismo e preconceito, porém, sempre me ensinaram a ser forte, a sonhar e não desistir de nada por conta de pessoas ruins.

Cresci dentro de um lar amoroso e essas sementes plantadas em mim na infância florescem até hoje, me lembrando todos os dias de que sou capaz de atingir patamares altos, de vivenciar meus sonhos, ter um crescimento profissional e pessoal sem precisar passar por cima de ninguém, apenas com meu esforço e dedicação.

Sou modelo há quatro anos, estou inserida em um mercado disputado e na maioria das vezes bem ingrato. Atualmente, meu trabalho vai totalmente de encontro com a questão de resistência e autoaceitação.

Viver da arte no Brasil já é difícil. E quando você é mulher e negra, o grau de dificuldade aumenta em 100%. A escassez de profissionais negros na moda é gritante, apesar de uma melhora de uns anos pra cá, não enxergamos a diversidade que tanto o Brasil diz ter nas passarelas, nos editoriais, nas revistas etc.



Meu intuito é mudar esse cenário, representar meu povo que é maioria no país.

Desejo ver mais mulheres negras na moda, nas faculdades, em cargos de grande importância.

Ver homens negros sendo reconhecidos pelo seu trabalho, pela sua inteligência.

Quero os “meus” fora das estatísticas de genocídio.

O direito de ir e vir que constantemente nos é tirado.

Quebrar as barreiras do racismo que impedem meus irmãos de seguirem suas vidas.

Ver as crianças sonhando com seu futuro, sem ter medo.

Resistimos todos os dias, lutamos todos os dias, somos tentados, julgamos, muitas vezes humilhados, mas permanecemos firmes!

“A escassez de profissionais negros na moda é gritante”



Um caso de traição inusitado chamou a atenção dos internautas nas redes sociais nesta semana. Uma motorista do Uber descobriu que estava sendo traída pelo namorado após transportar a amante do seu amado para casa dele. O caso aconteceu nos Estados Unidos e a jovem divulgou toda a história pelo Twitter, inclusive com prints da conversa com o agora ex-namorado.

"Eu dirijo para a Uber e peguei esta garota para deixá-la em um encontro com um #$%. E o encontro era na casa do meu cara", diz o tuíte. "Meu cara me disse que estava indo para Nova York ver a mãe dele no hospital, ele tinha bagagem feita e tudo, fiquei com ele na noite anterior", escreveu a jovem, que relatou ter saído com ele de manhã bem cedo, cada um para uma direção diferente - ele, em direção ao aeroporto. 


 

Mais tarde no mesmo dia, @Msixella, já dirigindo o Uber, pegou uma garota no aeroporto para levá-la ao namorado, o qual fazia tempo que ela não via. "E eu fiquei 'eu te entendo, meu cara saiu da cidade'". "Nós no carro, eu dirigindo, ela me falando dela e eu deixando ela se servir da minha água e do meu carregador de telefone". 

She put the apartment complex address not the actual apartment number ...... PLEASEEEE SHUTUP OMG — Msixelaa (@Msixelaa) 27 de março de 2017

De acordo com as postagens, ao chegar próximo ao destino, contudo, @Msixella percebeu que estava perto da região do namorado. Até que o carro dela chega perto do carro do namorado - e ele está de pé, esperando a amante. "Nós estávamos procurando o prédio certo e eu fiquei de boca aberta porque, assim que nós chegamos no endereço certo, eu vi que o carro dele estava estacionado do lado de fora", relatou. “Ele estava pronto para ajudar a outra mulher com as malas, e eu não conseguia me controlar".

Ao confirmar a traição, a motorista partiu pra cima do namorado, que fugiu do local e acabou deixando as malas da amante no carro. O namorado, em seguida, manda mensagem pedindo a devolução das malas. Caso contrário, a amante chamaria a polícia. “Que bagagem? Estes óculos de sol são ótimos, você que comprou para ela? Tchau, pare de me mandar mensagens", escreve a jovem. 


YES she got her things back no I DO not HAVE HER LUGGAGE she called the police 🙃

Ela ainda é irônica e faz uma brincadeira sober a avaliação que receberia no Uber. “Eu ainda estou esperando pela minha nota, mas espero que a água e o cabo auxiliar garantam as minhas cinco estrelas!", publicou. “A propósito, eu estou solteira agora!", finaliza.


 



Sobre o autor
Adenilton Cerqueira é fundador e diretor editorial da Black Brasil, conhecido entre os amigos como Théo, baiano,  feirense de nascença e soteropolitano de coração, é radialista, e blogueiro nas horas vagas. continue lendo aqui  

Motorista do Uber transporta amante do namorado e descobre traição

 
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